Nostalgia

Meu primeiro programa de computador

Tive o privilégio de ter acesso a computadores muito jovem.

Fui sorteado, na escola, para ter desconto em um curso introdutório de programação de computadores. Tinha pouco menos de 10 anos.

Metade do curso era teórico. A outra metade era prática. Meses escrevendo código no papel.

Escrevia código no meu caderno e contava com a imaginação para “executar” o programa. Afinal, nunca havia visto um computador funcionando.

Minha professora, Jupira (sim, o nome é exótico), revisava os códigos que escrevíamos e apontava erros.

Meu material de referência era uma apostila, impressa por uma impressora matricial, em papel de formulário contínuo.

Meu primeiro programa foi escrito em um CP 500, da Prológica, em BASIC.

10 PRINT CHR$(12); REM “LIMPAR A TELA”
10 PRINT  “”
30 PRINT  “    **     **”
40 PRINT  “   ***** *****”
50 PRINT  “  *************”
60 PRINT  “    *********”
70 PRINT  “       ***”
80 PRINT CHR$(12)
90  PRINT “   ***      ***”
100 PRINT “  ******  ******”
110 PRINT “ ****************”
120 PRINT “   ************”
130 PRINT “      *****”
140 PRINT “        *”
150 GOTO 10
160 END

Meu desejo era fazer um “coração” bater na tela do computador.

Cada linha era inserida ou editada individualmente. Para ler o programa, emitia um comando específico (LIST 10-160 para ver o programa inteiro. LLIST seria a instrução para imprimir o código).

A numeração indicava a sequência de execução. Se fosse necessário adicionar uma linha nova de código, entre duas instruções, deveríamos informar um “número vago”. Daí a razão para a numeração “saltar” de dez em dez.

O velho CP500 era tão lento para executar cada instrução que até parecia, mesmo, que as linhas, desenhadas uma a uma, formavam um coração pequeno, substituído por outro um pouco maior. Frustrado, descobri que meu programa não iria executar como eu esperava quando tentei executar no “poderoso” XT, meses mais tarde. Foi quando eu entendi que não basta o programa estar certo para entregar o valor esperado.

O tempo voa, não é?! Por onde andará Jupira? 🙂

Elemar Júnior

Microsoft Regional Director e Microsoft MVP. Atua, há mais de duas décadas, desenvolvendo software e negócios digitais de classe mundial. Teve o privilégio de ajudar a mudar a forma como o Brasil vende, projeta e produz móveis através de software. Hoje, seus interesses técnicos são arquiteturas escaláveis. bancos de dados e ferramentas de integração. Além disso, é fascinado por estratégia e organizações exponenciais.

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1 comentário
  1. Luiz Miguel Honorato Princival

    Eu comecei a aprender no PC XT AT286, lotus123, contudo sempre fui curioso e um dia tive a tive acesso a um CP500 (1999) funcionando e fiz um progrma em basic.

    Mas aprendi a programar no papel e so depois digitar no clipper e compilar.

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